A ditadura chilena comandada pelo General Augusto Pinochet e sua Junta Militar aperta o cerco e todas as vozes contrárias ao regime sofre violenta repressão do governo.
Estádio municipal da cidade, pelo campeonato chileno jogam HUACHIPATO(time da cidade) contra DEPORTIVO CONCEPCION, jogo truncado, com muitos gols perdidos.
Cacerez cobra o escanteio para o HUACHIPATO, o goleiro do DEPORTIVO falha, e a bola sobra limpa na pequena área,livre de marcação,só esperando alguém empurrar a gordinha pro fundo do gol.
Então o meio campista Francisco PINOCHET cabeceia a bola por cima do gol, desperdiçando mais uma oportunidade para o time da cidade abrir o placar.
Um do torcedor na arquibancada, impaciente e irritado com o meio campista, espontaneamente grita: FORA PINOCHET, FORA PINOCHET, de repente em alguns segundos o estádio inteiro passa a imitar o grito FORA PINOCHET, FORA PINOCHET, FORA PINOCHET, até o final do jogo.
No próximo jogo do time, uma presença de publico acima do normal, fica os 90 minutos do jogo gritando FORA PINOCHET, FORA PINOCHET, FORA PINOCHET e los otros otros 3 (o chile era comandado na época por uma junta militar formada por 4 comandantes militares).
Em um país onde uma simples voz contra o General Pinochet era literalmente calada á pauladas pela Policia Politica do Chile, esse episódio foi uma forma inteligente de resistência contra o governo, pois, como controlar a voz de milhares de pessoas dentro de um estádio de futebol?
O futebol, esporte mundial mais assistido e práticado no mundo, é antes de mais nada uma expressão cultural, e como tal , torna-se máquina política de alienação e controle de um povo.No Brasil, onde a paixão pela pelota transcende os limites e em algumas pessoas essa paixão vira estilo de vida e onde a seleção em muitos casos é confundido com o próprio país ("A PÁTRIA DE CHUTEIRAS"), ele torna-se um instrumento poderoso em regimes autoritários.
Em 1966 , o governo brasileiro fez com que a seleção convocasse 44 jogadores, dividiu-os em 4 times que passaram á perigrinar pelas cidades brasileiras como forma de "agrado" da ditadura para sua "adorada população.
Essa tática foi um fiasco tecnicamente, fez o time do Brasil chegar desentrosado e despreparado para a Copa, sendo eliminado ainda na primeira fase.
Em 1970 é onde temos a propaganda ufanista da Ditadura mais agressiva, tentado tranferir o sentimento de sucesso da seleçao para o governo militar.
Com o sucesso da fantástica seleção de Pelé, Tostão, Rivelino e Gersón, comerciais de TV e de rádio repetindo exaustivamente a canção de Miguel Gustavo chamada "Pra Frente Brasil" , "outdoors" e adesivos distribuídos gratuitamente com a frase "Brasil, ame-o ou deixe-o", tudo para criar uma atmosfera de amor ao Brasil.Já nos clubes, o campeonato brasileiro era gigantesco (passava de 40 times) e existia um ditado que dizia que (NO ESTADO QUE A ARENA VAI MAL, O TIME VAI MAL.), lembrando que ARENA era o partido da ditadura.
A maioria dos estádios gigantes do norte/ nordeste foram construidos durante o periodo militar: no Ceará o Castelão(1973) ; no Pará o Mangueirão (1978) ; na Paraibá o Amigão (1975) ; etc.
Mas , no Brasil, o futebol também foi utilizado como máquina política de crítica ao regime, o caso mais famoso foi no inicio dos anos 80 com a Democracia Corintiana, onde tudo no time era decidido por voto (formação tática, escalação, contratação, etc), uma afronta ao um regime autoritário.
Mas o uso do futebol como instrumento político não é exclusividade de regimes autoritários.
Recentemente o programa “Jornalismo para todos”, de Jorge Lanata iria fazer um especial com acusações de corrupção contra o governo Kirchner, então para diminuir a audiência do programa, Cristina modificou o horário do jogo entre BOCA JUNIORS X NEWELL'S OLD BOYS para exatamente o mesmo horario do programa de Jorge Lanata.
Para ver:
Memórias do Chumbo: O Futebol nos Tempos do Condor
(série dividia em 4 episódios produzida pelo jornalista e historiador Lucio de Castro sobre a relação entre o Futebol e os regimes ditatoriais no Cone Sul)
DOC - DEMOCRACIA CORINTIANA - SER CAMPEÃO É DETALHE




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